terça-feira, 28 de maio de 2013

Capítulo I: A Desastrosa chegada de Helena em Ignar

     “Era uma vez” não é a melhor maneira para iniciar esta história já que não se trata de apenas uma única história, Talvez a melhor maneira seja “Eram algumas vezes”... Enfim! Agora que já comecei a narração isso não interessa mais.
     Antes de qualquer coisa deixe-me apresentar Helena: Uma adolescente de quinze anos de idade; cabelos cacheados e negros de um comprimento médio; olhos tão grandes e azuis que pareciam ter sido arrancados de uma boneca; estatura normal para sua idade e pele clara que nada combina com o Sol do litoral pernambucano. Como já deu pra perceber é em Pernambuco onde reside juntamente com seus avós maternos numa casinha simples de frente ao mar que quase toca a praia. Seus pais são grandes executivos e sempre viajam a trabalho. Quando estão em casa, ou melhor, na sua casa volta e meia ligam para Helena á procura de notícias da filha. De certa forma ela já se acostumou com esta ausência, pois foi criada assim desde os seus primeiros anos. E seus avós supriam bem esta “carência” de forma que as saudades eram imperceptíveis. O clima praiano é o cenário perfeito para as brincadeiras lúdicas dela e suas aventuras com poucos amigos. Embora isso não queira dizer que ela seja antipática ou algo do tipo. Muito pelo contrário!
     Apesar de ser bem singela, sua casa é bem aconchegante e rica em livros por todo o lado. Influenciada por sua avó volta e meia lia aventuras durante o alvorecer antes do crepúsculo. Sua bicicleta vermelha é o principal meio de transporte de sua casa até a escola pela orla. Gostava de sentir os cachos esvoaçarem pela brisa salgada que refrescava seu rosto durante o percurso. Ficava chateada quando chovia e não podia o fazer a pedaladas. Nunca deu trabalho na escola, mas às vezes ficava para recuperação... Acho que já lhe contei o suficiente sobre ela. Bem, acima de todas estas coisas a principal característica de Helena é sua fé. Sua avó, Celina, sofre com uma doença que nenhum médico soube identificar. Volta e meia sua querida avó desmaia, sente fortes dores e mal consegue se mover tamanho sofrimento.
     Helena nunca perdeu a fé de que Dona Celina fosse curada. Sua fé não se baseava em uma religião ou algo do tipo... Apenas acreditava que milagrosamente tudo ia dar certo: Sua avó seria curada, seus pais voltariam a morar com ela e sua família estaria realmente completa outra vez.
     Agora sim posso realmente começar a narração desta aventura. Se você é do tipo cético e sem o mínimo de imaginação e insanidade para acreditar no que estou escrevendo, feche o livro e procure outra coisa a fazer porque realmente vou precisar destes itens para que você acredite em minhas palavras. Tudo começa numa noite quente de verão na qual uma queda de energia elétrica ocorre. Os três, Helena e seus avós, reúnem-se na melhor parte da casa que é a varanda na tentativa de fugirem da escuridão e calor. Simplesmente levam consigo uma vela e um bom livro para passarem o tempo.
     Helena deita na rede junto de sua avó enquanto seu avô lê a luz de velas o livro de páginas amareladas balançando-se numa cadeira de balanço. Dona Celina acariciava seus cachos e Helena apenas dava vida a cada palavra dita por seu avô com sua imaginação. A luz da vela bruxuleava nas paredes, as estrelas cintilavam no céu e as ondas arrebentavam a alguns metros dali. Todos estes fatores propiciavam estímulos extras para a imaginação dela. Entre uma fala e outra de uma personagem o tempo mudou bruscamente: Nuvens tempestuosas possuíram o céu e ventos frios sopravam grãos de areia para a varanda.
     Antes que a vela apagasse o trio entrou para abrigar-se. Helena foi ajudar sua avó a preparar a janta enquanto seu avô cuidava de fechar as janelas e afins. Não demorou muito para que demasiadas gotas de chuva caíssem sobre os grãos de areia e o mar revoltasse. Da mesma maneira que surgiu, a tempestade desapareceu deixando os ares da região mais frescos. Após o jantar Helena decidiu caminhar na praia para pensar um pouco. Afinal, um pouco de solidão não faz mal a ninguém. Vestiu seu vestido rendado e praiano que ficava um palmo acima dos calcanhares e saiu. Descalça pisou na areia ainda molhada e sentiu um arrepio dos pés à cabeça. Não estou falando de um arrepio daqueles quando se está febril ou algo do tipo, mas sim um arrepio suave e agradável.
     Após uns dois ou três minutos de caminhada ela avistou um objeto cintilante que estava semi-enterrado na areia, próximo a arrebentação das ondas. Puxou um pouco do vestido com as mãos para facilitar a caminhada acelerada até o objeto e foi ao seu local. Facilmente o desenterrou. Era um espelho oval do tamanho de um pequeno prato. Helena o lavou na arrebentação para remover os grãos de areia e poder estudá-lo mais atentamente. Teve de mergulhar o espelho três vezes para remover completamente à areia. Só então pode contemplar os seráficos detalhes do objeto. Este é prateado com as costas bordadas em fios dourados e uma pedrinha azulada na ponta de seu cabo também prateado. De certa forma ficou surpresa por não encontrar nenhum arranhão no vidro e deduziu que alguém o perdera recentemente.
     Ao olhar mais atentamente para o espelho e ver seu reflexo, Helena realmente surpreendeu-se. O reflexo de seu rosto era nítido no vidro, porém ao invés de o espelho mostrar a praia ao fundo outra imagem foi refletida. O cenário de fundo era uma densa floresta escura que a hipnotizou por alguns segundos que pareceram minutos. Helena não conseguia parar de vislumbrar a imagem. Parecia até estar enfeitiçada. Quando despertou do transe percebeu e sentiu que já não estava mais na praia. Seus pés não estavam sendo molhados pela arrebentação, mas sim pisavam folhas secas e afins. Ao seu redor frondosas árvores erguiam-se de forma colossal fazendo-a parecer um inseto num jardim. O cheiro salgado da maresia foi substituído por odores da floresta. Lama, folhas, flores, frutos e substratos compunham os ares do local que invadiam as narinas dela. Em suas mãos o espelho terminara de emitir uma luz branca fazendo tudo ficar novamente envolto em trevas. Nenhum ruído era ecoado na mata e aquele silêncio a deixou ainda mais confusa e amedrontada.
     Desnorteada e sem saber para onde ir Helena gritou por socorro. E inconscientemente utilizou de sua fé para com a possível ajuda. Novamente o espelho iluminou o local, embora de uma maneira diferente. A prata do artefato emitia uma tênue luz azulada que foi o suficiente para dar um norte à Helena.  Uma ponta de esperança nasceu em seu coração juntamente com a luz que o espelho emitira. O coração pulsava rapidamente e tremer já não era uma opção. Não estou dizendo que estivesse frio, apenas que Helena estava realmente assustada com aquilo. Cuidadosamente foi dando seus primeiros passos naquele local sombrio com o auxílio da luz. Em sua confusa mente as perguntas “O que aconteceu comigo” e “Onde estou” ecoavam diversas vezes. No meio daquela escuridão entre galhos e folhas acima de sua cabeça ela avistou pequenas “coisas” brilhando como vaga-lumes, só que bem maiores. Juntamente com as luzes era possível ouvir um zumbido de pequenas asinhas. Novamente gritou por socorro e aquele ser brilhante voltou de dentre as trevas e parou de frente a ela.
     Este ser trata-se de uma pequena fada dourada. Devia ter uns dez centímetros de comprimento e batia as asas membranosas num ritmo frenético produzindo um zumbido característico. A fada, de corpinho desnudo e olhinhos inocentes, ficou parada diante de Helena a encarando e vice versa. Numa pirueta a fada desceu voando até a mão da aventureira e viu seu espelho. Helena ainda não acreditava no que via, mas mesmo assim resolveu falar com a pequenina:
- Preciso da sua ajuda, amiguinha. - Falou Helena ainda não acreditando naquilo que acabara de ver.
     Aos poucos a fada foi voando mata adentro e na medida do possível Helena a seguia. Seus pés já estavam doloridos graças aos pequenos detritos das árvores no solo. Uma carga de adrenalina foi dispersa em seu corpo e seguir aquela fada foi simplesmente um reflexo dela. Conforme ambas avançavam Helena avistava um brilho, semelhante ao de sua guia, ficando cada vez mais intenso. A fada levou Helena até uma clareira na qual uma árvore de tronco largo e flores grandes abrigavam várias fadas semelhantes a ela. Como abelhas numa colmeia as fadas entravam e saiam das flores. Pareciam estrelas circulando a árvore.
     Assim que perceberam a presença de Helena no recinto, todas elas esconderam-se nas suas flores e apagaram seus brilhos. Helena cautelosamente aproximou-se após perceber o que provocara. Pigarreou para controlar seu tom de voz e da maneira mais suave o possível, disse:
- Fiquem calmas, amiguinhas. Não vou machucar vocês. “Não acredito que estou conversando com fadas”. – Pensou consigo mesma. -Prometo que não farei mal algum. Preciso da ajuda de vocês. Onde estou?
     Naquele momento trechos de Alice no País das Maravilhas vieram à tona na mente dela. Estava se sentindo a própria Alice naquela situação. Morosamente dentro das flores pequenas luzes foram surgindo e quando sentiram que Helena verdadeiramente não lhes oferecia perigo.
-“Realmente só posso estar sonhando ou estou louca!”- Novamente pensou Helena- “Isso não é possível”.
     Após estes pensamentos de incredulidade (Que são totalmente aceitáveis nesta situação) uma voz dentro dela parecia conformar sua mente e coração com tudo aquilo. Era como se toda a situação fosse corriqueira.
- Não sei onde estou. Será que podem me levar a um lugar seguro onde eu possa encontrar ajuda?- Pediu ela novamente.
     Rapidamente as fadinhas agarraram o que podiam nela: Barra do vestido, dedos, mangas e até em alguns cachos de cabelo.
- Já entendi o recado, amiguinhas. Podem ir à minha frente que eu as sigo, mas vão devagar, por favor. Está muito escuro aqui e estou descalça.
     Dito e feito. Boa parte do grupo foi à frente de Helena, enquanto o resto ia escoltando-a com todo o cuidado possível. Cada passo tornava-se cada vez mais sôfrego para os pés de Helena. Pedras, gravetos, espinhos sabe-se lá mais o que contribuíam para isto. Algum tempo depois chegaram à orla da mata. Sair daquele ambiente hostil foi um grande alívio para Helena que se sentiu um pouco menos em perigo. Deparou-se com um caminho de terra que ia até um enorme palácio de um lado e na outra direção perdia-se na escuridão de uma curva.
- Tenho que ir para lá?- Perguntou Helena apontando para o palácio.
     Todas as fadas assentiram com gestos e balançadas de cabeça. Prestes a dar o primeiro passo uma das fadas a interrompeu interpondo-se e gesticulou para que Helena esperasse por alguns momentos. Esta fada disparou floresta adentro como uma bala e não demorou muito para voltar com um presente em seu colo. Trata-se de um casulo de fibra sedosa e translúcida do tamanho de um polegar com um pequeníssimo brilho em seu centro. De uma maneira mágica as outras fadas teceram um cordão de seda ao derredor do pescoço de Helena e a fada com seu presentinho o amarrou a ele. Depois de presenciar tudo o que acabara de ver, Helena, de certa forma já se conformara com o surrealismo do local. Percebendo do que se tratava ela fez uma pequena mesura para suas amiguinhas cintilantes utilizando seu vestido.
     A fada que havia lhe presenteado também fez uma mesura desajeitada, porém carismática. Depois de novamente agradecer com um “Muito obrigada” ela partiu rumo ao palácio deixando suas guias retornarem para dentro da mata.
     Seus pés doíam um pouco menos, pois só havia algumas pedrinhas no caminho e ela as evitava ao máximo. Lembrou-se de imediato da areia molhada que a pouco encontrou seu espelho. O palácio ia erguendo-se cada vez mais e no coração de Helena uma esperança de voltar para casa crescia também. O edifício era cercado por uma sebe alta e que se perdia de vista tanto para a direita quanto para a esquerda. Um portão de bronze impunha-se no fim do caminho perante ela. Chegando mais perto do portão Helena reparou que nele não havia fechadura, cadeado, corrente ou qualquer tipo de aparato que o fechasse ou abrisse. Apenas uma fenda dividia o portão em dois lados bem no seu centro e ia de cima a baixo.
     Antes que Helena pudesse bater palmas ou chamar alguém o portão abriu-se com um rugido metálico um pouco inconveniente naquele momento. Ela até pensou em espiar pela fenda embora agora o portão já esteja aberto. Um jardim majestoso foi apresentado a ela pelo portão: Fontes de mármore jorravam água quebrando o silêncio; Flores descansavam em seus devidos canteiros ansiosas por um cálido dia de Sol; Postes antigos e bem feitos iluminavam o local com luzes âmbar; E o mais importante de tudo... Grama verdinha e bem aparada.
     Um caminho pavimentado ia até o pórtico de entrada do palácio, entretanto as solas dos pés dela pediam socorro. Automaticamente tomou o gramado com percurso até o pórtico. As folhas verdejantes e frescas as massageavam aliviando sua dor e um pouco do medo também. O palácio possuiu uma simetria neoclássica sublime e também era iluminado por luzes de âmbar. Cada janela, e eram muitas, possuía um arco e uma pequena saca. E bem no centro do edifício uma torre de relógio o deixava ainda mais mágico com seu sino de bronze.
     Helena até sentiu-se indigna de adentrar o palácio, porém precisava esclarecer tudo que ocorrera e voltar logo para casa. Ali poderia haver ajuda para isto. Seus avós já deviam estar muito preocupados com ela, pois o relógio da torre marcava exatamente oito e meia da noite. Os portões do palácio estavam abertos e ela sem hesitar, embora acanhada, adentrou. Tudo parecia ser um cartão de boas-vindas bem convidativo.
     Ela deparou-se com um salão de luz dourada e piso xadrez que a fascinaram fazendo seu queixo literalmente cair. Acima de sua cabeça viu o majestoso lustre que reluzia como um segundo Sol. Estatuetas, quadros e outros objetos compunham a decoração e evidenciavam ainda mais o estilo neoclássico. Á sua frente havia duas escadas (à direita e esquerda) de um novo pórtico e davam acesso a uma pequena sacada há uns dez metros do chão. Um facho de luz mais forte vinha deste pórtico e vozes animadas também. Também era possível ouvir o tilintar de talheres, copos e afins como se fosse um restaurante em horário de pico. Esgueirando-se no pórtico e tomando cuidado com seu pingente vivo e espelho mágico, ela espiou o local com apenas um olho a mostra. Parecia estar brincando de pique - esconde.
     No glorioso cômodo, várias mesas e cadeiras tomavam conta do local que deve ser umas vinte vezes maior do que o salão de entrada. No teto havia vários lustres para iluminar a todos que ali se alimentavam. Muitos jovens da idade de Helena se alimentavam e papeavam ali. Como já deu pra perceber era a hora do jantar. Ao fundo há uma mesa, a maior de todas com seis adultos em seus devidos lugares. Dados os fatos, Helena deduziu que o local fosse uma escola e acertou. Ainda vislumbrada com todo o glamour do local ela não percebeu a aproximação de um dos alunos por detrás dela mesma.
-Posso ajudá-la?- Perguntou o tal aluno pondo a mão no ombro de Helena.
     Helena assustou-se abruptamente e num átimo berrou e guinou para dentro do salão ficando à mostra para todos os que ali estavam presentes. O estudante também se assustou deixando cair os dois livros que carregava com a outra mão. Imediatamente todos que ali estavam voltaram suas atenções a ela: Descabelada, pés sujos, vestido amarrotado e também sujo, gotas de suor de puro nervosismo e o espelho em mão.
     O aluno que a assustara recolheu os livros enquanto pedia mil desculpas. Os primeiros comentários começaram a surgir como simples buchichos e progrediram para risadas tímidas e por fim gargalhadas em todo o salão. O aluno ficou tão constrangido quanto Helena. Foi impossível evitar que lágrimas de nervosismo brotassem em seus grandes olhos azuis. Um nó formou-se em sua garganta e falar não era possível. Para completar todo o pacote, sua coluna vertebral tremia como vara-verde fazendo-a tremer por completo. Tamanha foram a sua vergonha e susto que ela esquecera o seu objetivo naquele local, que era pedir ajuda a quem quer que seja. Sua respiração ficou descompassada e os joelhos travaram. As risadas e comentários maldosos e infelizes não cessaram e a situação tornou-se insuportável para ela.
     Do outro lado do salão, da mesa dos professores, mais exatamente, uma senhora de longo e suntuoso vestido a fitava com um par de olhos violeta e muita compaixão. Esta se levantou e mandou todos calarem-se de uma maneira bem nobre na qual não precisou de repetição. Todos obedeceram sem titubear. Esta senhora foi até Helena passando pelas mesas e a abraçou com o maior carinho e cuidado que se pode haver numa doce senhora. Seus cabelos brancos e presos num coque davam-lhe um ar ainda mais materno.
-Desculpe-nos minha querida. Não chore mais. Venha comigo, vou cuidar de você. - Disse a doce senhora enquanto abraçava Helena e a consolava com todo o seu carinho.

     O solene vestido dela parecia envolver Helena e protegê-la de todos os males que foram ditos e gargalhados no salão de jantar. A pela clarinha, pouco enrugada e firme, cheirava a flores com os mais incríveis olores. Helena não conseguia sentir mais nada além do abraço maternal, o aconchegante vestido e o perfume daquela senhora tão caridosa. Ela estava embriagada de tanto nervosismo e anestesiada de carinho e proteção.
     Olá leitores do blog. Sou autor do livro Memórias de uma Clériga e irei compartilhá-lo com vocês através do blog. Nunca fiz um blog antes, então me desculpem as gafes. Peço a ajuda de vocês para melhorias, comentários e divulgação de minha obra. Minha alcunha é Eddy Lune e por enquanto prefiro manter minha identidade assim. Quem sabe com o passar do tempo eu não revelo quem sou? Enfim.
     O livro trata-se de uma aventura em um mundo muito fantasioso e com uma história muito louca. Nela há divindades presentes, reinos espetaculares e muita coisa para se explorar. Esta primeira história que escrevi nele fala de Helena, uma adolescente muito especial para Ignar (O mundo que acabei de citar), que vai passar por muitas aventuras lá. Ainda estou digitando o livro, portanto irei postar capítulo por capítulo quando prontos.
     Espero sinceramente que gostem da aventura e que ela os leve por lugares mágicos, apresente pessoas interessantes e os faça delirar com sua magia. Que a grande mãe vos ilumine! (Breve saberão o que significa)
                    Eddy Lune